CALINADAS UNIVERSITÁRIAS - página 1

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"Samora Machel foi presidente de Portugal e Salazar o ultimo rei. Hitler chamava-se Heil e era comunista e a Republica das Bananas existe mesmo. Pedro Marta Santos descobriu o que alguns universitários andam a dizer nas provas orais.

Desde que existe um Deus académico (os professores) existem provas orais, o supremo atestado da sabedoria nacional em movimento. Estando a historia do ensino em Portugal repleta de episódios dramáticos, macabros e emocionantes, as orais são uma nota de rodapé que tudo resume: a tirania e a insegurança dos professores (estados de espírito frequentemente de mãos dadas), a verve inteligente de alguns, poucos, alunos em situações tensas e, sobretudo, a refinada ignorância dos discentes da nação. As lendas de orais heróicas só são ultrapassadas pelas barbaras respostas dos menos preparados. Fizemos uma recolha das provas orais mais caricatas (para os professores) e dramáticas (para os alunos), num pais carregado de sabedorias improvisadas. Tudo casos reais decorridos em Portugal, depois de 1990. Mais do que provas da arte do desenrascanço, são autenticas bombas de iliteracia que vos apresentamos.

Se a sabedoria não tem fim, imaginem a ignorância. Depois do riso inicial que vos suscitara este apanhado de episódios verídicos, esperamos que não fiquem com vontade de chorar.

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O 25 de Abril

Um instituto superior da capital. 1º ano de Relações Internacionais.
A cadeira é Ciência Política. O professor é um distinto deputado à Assembleia da Republica. A aluna, com rara convicção, explica ao examinador tudo o que se passou no 25 de Abril de 1974:

"A revolução de 74 significou a queda de um regime militar dominado pelo almirante Américo Tomás e pelo marechal Marcelo Caetano, que governava o país depois de deposto o ultimo rei de Portugal, Oliveira Salazar. O 25 de Abril foi uma guerra entre dois marechais: o marechal Spínola e o marechal Caetano".

Obviamente, chumbou.

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Outra versão, ainda mais criativa, desta vez numa universidade privada de Lisboa. E ainda uma senhora a responder, longos cabelos loiros, 3º ano de Relações internacionais.
- Descreva-me brevemente o que foi o 25 de Abril de 1974.
- Foi um golpe levado a cabo pelos militares, liderados por Salazar, contra Marcelino (sic) Caetano.
- (o professor, já disposto a divertir-se) E como enquadra o processo de descolonização nesse contexto?
- Bem, a guerra em África acabou quando Sá Carneiro, que entretanto subiu ao
poder, assinou a paz com os líderes negros moderados. Foi por causa disso que ele e esses líderes morreram todos em Camarate.
- Já agora, pode dizer-me quem era o presidente da Republica Portuguesa antes de 1974?
- Samora Machel.
Conta quem assistiu a oral que o professor quase agrediu a aluna.

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Um ultimo ponto de vista sobre a revolução dos cravos, prova oral da cadeira de Direito Constitucional, uma universidade privada da capital:
- O que aconteceu no 25 de Abril foi o inicio do regime autoritário salazarista. Mas quem subiu ao poder foi o presidente do então PSD, Álvaro Cunhal, que viria a falecer em circunstancias misteriosas no acidente de Camarate.

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A Monarquia

- Quais são as batalhas mais importantes da historia portuguesa?
- Antes de mais, senhor doutor, a batalha de Alves Barrota.
O exame terminou aqui.

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Era um aluno de uma faculdade estatal lisboeta, questionado para o efeito, "O ultimo rei de Portugal foi Américo Tomás". Universidade privada em Lisboa, 2º ano de Relações Internacionais. O aluno na oral insiste que "Marcelo Caetano foi o ultimo rei de Portugal".

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Uma professora de Direito Constitucional numa universidade privada do Porto questiona o aluno sobre a Constituição de 1933. Esta consagra a impossibilidade de os descendentes da casa de Bragança se candidatarem a presidência da Republica.
- "Diga-me lá porque e que D. Duarte, segundo a Constituição portuguesa de 1933, não poderia candidatar-se a presidência da republica?"
- "Porque ele é actualmente o presidente português."

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Noutra resposta a mesma pergunta, que esta professora recebeu:
- "Porque vivemos num sistema monárquico".

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Um professor duma universidade nortenha pergunta à aluna, no decorrer de uma prova oral do curso de Direito:
- Minha senhora, quem governa em Inglaterra?
- É a rainha, em conselho de família.
- E como é que funciona esse conselho?
- Antes de decidir as leis que aprova, a Rainha recorre à opinião dos filhos e das noras.

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O Presidente e a Assembleia

No ano passado, numa outra prova oral de Direito Constitucional, o examinador pergunta ao aluno:
- Quem substitui o presidente Jorge Sampaio em caso de impossibilidade temporária deste?
- A mulher dele, a Maria José Rita.

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Também Direito Constitucional, numa universidade lisboeta:
- O Presidente da Republica pode ir passar três meses de ferias nas Caraíbas?
- Não, porque ia ter muitos problemas com a obtenção do visto. Só se o presidente da Assembleia da Republica metesse uma cunha para ele conseguir o visto de permanência.

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Ainda os obscuros incidentes da governação, numa universidade privada do Porto, curso de Direito:
- Como é que são assegurados os trabalhos da Assembleia da Republica entre 15 de Julho e 15 de Outubro?
- Quase não há trabalhos durante o Verão. Os únicos trabalhos que há da Assembleia, durante o Verão, são umas reuniões na casa do Dr. Mário Soares, no Vau. Mas é sempre difícil fazer as reuniões, porque a casa é muito pequenina e tantos políticos juntos provocam muitos problemas de segurança.

Pela crença imaginativa, a professora quase passou a aluna em causa.

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Mais uma divagação sobre a pessoa e obra do Dr. Mário Soares. O cenário é uma universidade privada do Norte, curso de Direito. Responde um cavalheiro. Na época, era ainda presidente o patriarca Mário.

- Explique-me como se encontra o sucessor do Dr. Mário Soares, quando este terminar o seu mandato.
- Isso já se sabe quem é.
- Ai sim?
- É o Dr. João Soares.
- E como justifica essa escolha?
- Porque é o descendente.

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Uma universidade privada em Lisboa, 1997. A correcção manda que se diga que "as leis são emanadas pela Assembleia da Republica".

Discorrendo sobre o processo legislativo, um aluno responde que "as leis vêm em manadas da Assembleia da Republica".

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A Soberania e a Política Externa

Nos exames orais da cadeira de Direito Internacional, é frequente os alunos defenderem convictos a teoria de que continuamos a ser um império, referindo-se aos PALOPS como sendo actualmente "as nossas colónias".

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Cadeira de Política Internacional, uma universidade privada de Lisboa.
- Fale-me da política externa portuguesa durante a Guerra Civil de Espanha.
- Salazar apoiava Franco.
- E qual era a razão desse apoio?
- O facto de o maior aliado de Franco ser na época a União Soviética. E também porque os maiores bastiões do comunismo na Europa desse tempo eram Hitler e Mussolini.

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História

Prova Oral de Política Internacional, 3º ano de Relações Internacionais, uma universidade privada de Lisboa. O professor questiona o aluno sobre o tratado Ribbentrop- Molotov.
- Como se chamava o tratado germano-soviético de não-agressão?
- (o silencio é sumptuoso)
- (o professor tenta ajudar) O primeiro nome do tratado é Ribbentrop.
- Aaaaaah....
- Então?
- (novo silencio)
- (o professor, em desespero) O segundo tem nome de pudim...
- Ah! É o Flan!

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Cadeira de Historia das Ideias Políticas, curso de Relações Internacionais, na mesma universidade:
- Qual é a obra mais conhecida de Maquiavel?
- O Principezinho.
- Tem a certeza?
- Tenho, senhor doutor.
- E a nacionalidade?
- Ah, é belga.
Para os universitários do país, Maquiavel é personagem tão polémica como misteriosa.

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